quinta-feira, janeiro 12, 2006

HOJE

Por motivos que passo a explicar, não almocei. Coisa de pouca importância não fosse o corpo pesar mais de 100 quilos. Faz bem de quando em vez ficarmos assim, não entre nada, mas próximos de um dos lados. Sobre o lado que me move:

a)As pessoas riem e divertem-se umas com as outras; trazem para a conversa estradas por onde passaram, corpos que tocaram, desejos com muitos centros e gargalhadas do momento. Não partem. Distribuem.

b)As pessoas pensam sem rumo, dizem tantas coisas apenas com felicidade. Muitas transpiram, enganam-se porque podem dizê-lo. Deliram porque procuram.

c)As pessoas não escrevem o que os relatórios querem. Dispensam o sucesso e caem em tentação. Incluem o às vezes, o entretanto, o nem sempre, a adição e a subtracção. Elevam o denominador à presença dos que ainda não estão.

d)As pessoas nadam face-to-face. Vão ao fundo. Desenham lá em baixo o resultado de muitas experiências. Removem partes e gostam do silêncio. Não são transportadas. Transportam-se. Retiram a tampa e no mar navegam sem mapa.

e)As pessoas são natureza. Não definem. Não formatam. Não estruturam. Não regularizam. Alimentam-se, comunicam e reproduzem-se. Não ocupam. Visitam,na fragilidade das escalas.

f)As pessoas nunca foram modernas. A noite continua a ser escura e perigosa.