quinta-feira, janeiro 12, 2006

AGORA

A última vez que o ouvi ouvi-lhe coisas sobre um novo projecto. Desastres de aviões. Pesquisou. Inventariou. Encontrou. Achava belo olhar para os destroços de uma cabine. Trabalharia a cabine. Outra cor, mais cor. Deitada, em pé. Uma colagem. Traços. Riscos. Várias colagens. Outra cabine. O envolvimento pareceu-me real. Afectivo. De dentro. Preenchido. Quantos aviões seriam precisos para a sua felicidade? Quantas notícias foram ditas e escritas sobre aquele avião? Haverá gritos naquelas folhas de papel? Quantos homens foram precisos para vermos avião? Há meses que não sei puto do seu projecto. Há meses que nada dele sei. Estará na cabine? Na folha? A última vez que o ouvi vi-lhe coisas sem sofrer alteração alguma.Preso na altitude.