quinta-feira, dezembro 22, 2005

MISTÉRIOS ORGANIZACIONAIS 1



Há qualquer coisa misteriosa na forma como se estudam as organizações. Dizendo mais: o que lá estudamos. Olhando hoje para o que é feito nas áreas da sociologia, psicologia e gestão as coisas são muito pouco –diria mesmo nada – interessantes. Ofensa seria mesmo aplicar aqui o termo inovadoras. Prolificaram com uma tremenda capacidade de auto-reprodução os temas jurássicos: representações sociais disto e daquilo; o poder ali e aqui; a identidade deles e a nossa; a mudança nisto e naquilo; os grupos; os processos de decisão e os de comunicação; a eterna cultura e a não menos eterna relação com a envolvente; a estratégia e o mercado; as competências para isto e para o que seja; as estruturas e a organização do trabalho…a qualidade … a satisfação… ETC. Antes, no meio ou depois, as variáveis, as relações causa-efeito; as hipóteses e as parentes dimensões, variáveis e indicadores, os modelos; as correlações, as ditas significâncias, os inquéritos, os questionários, as entrevistas, a amostra, os estudos de caso, os informantes, a observação sem ou com mais ou menos participação… ETC: E depois, por um quase passe mágico chegamos às conclusões. Tantas vezes semelhantes. Muitas vezes iguais. Nunca antes de não nos esquecermos s.f.f. dos factores. Mistério? Ainda existe quem se queixe, pense e escreva sobre a falta de universalidade da análise ao social face à ditas “ciências do natural”? Mas onde está essa ausência se meio mundo aplica Mintzberg e & em tudo, a torto e a direito? Ou agora, quantos estudos sobre o conhecimento nas organizações não vampirizam o modelito do Nonaka e companhia? Pior é que tudo isto é feito a par de outro discurso interessantíssimo: as coisas são todas muito dinâmicas; excessivamente complexas; com um vasto conjunto de interdependências; tudo muda, rapidamente; nada de estaticismos; tudo pode ser assim mas também de outra forma… ETC. Mistérios! Linearidades escondidas! Nas organizações poderemos estudar a raiva? A desilusão? O excesso? A ausência? O cheiro? O tacto? O bom e o mau? A mentira e a verdade?