quarta-feira, janeiro 12, 2005

O TODO

Construir aviões de papel foi uma tarefa difícil de realizar. A mãe insistia na ausência de perspectivas futuras de emprego. A Leonor já tinha dito ao Carlos que a introdução de peças que não fazem parte de um registo coerente e integrador de uma determinada realidade, pode, de um momento para o outro, limitar a percepção que os outros têm dessa construção. O suicidio podia ser uma solução. Mas para quê eliminar definitivamente o responsável pela concepção desse avião? Não tendo emprego a solução não era deixar de fazer aviões. Também não seria apostar numa carreira no talho do Francisco. A hipótese de mudar de bairro e de gentes, não atenuaria com todo a certeza, a alegria de construir pequenos aviões de papel. Especulação, ainda não no domínio da hipótese, foi o que a Tânia e a Jacinta me disseram: o discurso de cada um não será a forma mais verdadeira de descrever o que cada um pensa? Sentir e ver são verbos individuais. Dizes que é possivel dizer às palavras dos outros qual o seu sentido? Os aviões percorrem rotas. Perguntas: Se A=B e B=C, então A=C? O papel pode ser semelhante. Os aviões são sempre comuns.