quarta-feira, dezembro 29, 2004

FUGITIVO

Aceitei porque o convite tinha sido feito por um grande mentiroso da rua onde viviamos. O tipo dizia que tinha uma irmã, uma irmã católica, um tio, um tio engenheiro, um primo, um primo poeta e uma mãe, uma mãe tradutora. Achei aquilo puro. Nunca acreditei que a vontade de suicidio fosse apenas mero capricho. Quando cheguei encontrei algumas pessoas conhecidas. Eu, o único com as duas pernas, resolvi ficar de pé. No jardim estava preparada uma pequena jincana de cadeiras de rodas. Como prémio a possibilidade de o vencedor correr até à enorme larangeira do jardim e voltar a correr de regresso ao ponto de partida. Lembrei-me da frase do Pedro: Que pensar do aleijado que odeia os bailarinos?